terça-feira, 17 de junho de 2008

Faz frio em Deladreon

Faltavam três ou quatro dias para o solstício de inverno
as ruas desertas ficaram,
as poucas folhas que nas árvores ainda restaram
se contorciam denunciando a voracidade deste monstro silencioso.
O tenebroso céu deladreoniano fora pincelado por inúmeras listras brancas
saídas de cada pequena casa do vilarejo.
Chaminés expeliam sufocadamente a fumaça quente daquela noite terrível.
Pai e mãe se revezavam na heróica tarefa de alimentar o faminto fogão de lenha;
as crianças extasiadas se divertiam correndo ao redor daquela simpática máquina de fazer calor.
O mendigo desabrigado se esquivava, fazendo parede com um fino cobertor.
A grama que outrora verde aos passeantes alegrava, agora treme congelada a esperar pela aurora.
O grande astro do sono desperta, o povo às ruas retorna. O mendigo que ao temível ar congelante sobreviveu, exclama em alto e bom som:
"Como tu és fria, Deladreon!"

Nenhum comentário: