sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Mais uma lenda

Entre os mais velhos um mito faz fama

diz de um valente guerreiro

que durante o auge da sombra

sozinho com seu escudo e espada

enfrentou a fúria da chama.



Contam as mentes já cansadas

daqueles com rosto senil

que o mal diante do guerreiro ruiu

deixou as terras deladreonianas

mas um preço cobrou.

A mais bela donzela dessas terras

- aquela que ao valente guerreiro conquistou -

fora abatida e raptada

e a fúria do mal

para a sombra a levou.


Reza a lenda

que daquele dia em diante

ao guerreio ninguém mais viu.

Contam os sábios

que pelo grande oceano

de barco ele partiu.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A Sociedade II

Olhares reprimidos,
troncos recurvados,
face enrugada,
ânimo oprimido.
As ruas seguem silenciosas
o seu rumo tortuoso.
As casas mal pintadas
quando ainda não em ruínas.
É sinal de um povo que ainda luta
mesmo sem armas nas mãos.
São frutos de uma guerra
que de forma bruta,
avassaladora e desleal
marcou de sangue e de dor
toda a imensidão desta terra.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Enamorados

É primavera em Deladreon
o ar gélido sufocante
abre espaço para o perfume esvoaçante
das donzelas e das flores
dos campos e das cores.

O desabrochar das rosas
aos jovens como inspiração atua
o novo botão rosado ao mundo se abre
as mãos entrelaçadas
rostos corados e olhares apaixonados.

No vai-vém dos balanços
cabelos desajeitados
respiração ofegante
já não há jardim mais belo
do que o coração dos enamorados.

É primavera em Deladreon.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Recordações III

O menino já cansado de esperar por resposta
decide se aventurar em busca da solução.
Dias e noites se pergunta:
"O que é Deladreon?"
Sabe apenas que ali,
no velho porão da velha casa de seu velho avô
residem histórias adormecidas
aguardando o momento certo de acordar.
Aquele diário, pequeno livro de couro
todo empoeirado
capa e folhas manchadas
- nada faz sentido!
Somente um grande letreiro
dourado já antigo:
Deladreon, a terra além mar.

Dia de inverno

Hoje faz sol em Deladreon
um lindo e confortável dia de inverno.
Nas ruas, a alegria desfila livremente,
o homem bem vestido caminha apressado,
na feira as donas de casa enchem seus cestos,
no parque as crianças correm peraltas.

Sob o pé de castanheira
um casal de jovens se olha enamorado
- não se ouve palavra sequer -
um murmúrio mínimo será desnecessário.
Os olhos lampejam um brilho inusitado
capaz de justificar a beleza daquele caloroso dia,
um lindo dia quente de inverno.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Faz frio em Deladreon

Faltavam três ou quatro dias para o solstício de inverno
as ruas desertas ficaram,
as poucas folhas que nas árvores ainda restaram
se contorciam denunciando a voracidade deste monstro silencioso.
O tenebroso céu deladreoniano fora pincelado por inúmeras listras brancas
saídas de cada pequena casa do vilarejo.
Chaminés expeliam sufocadamente a fumaça quente daquela noite terrível.
Pai e mãe se revezavam na heróica tarefa de alimentar o faminto fogão de lenha;
as crianças extasiadas se divertiam correndo ao redor daquela simpática máquina de fazer calor.
O mendigo desabrigado se esquivava, fazendo parede com um fino cobertor.
A grama que outrora verde aos passeantes alegrava, agora treme congelada a esperar pela aurora.
O grande astro do sono desperta, o povo às ruas retorna. O mendigo que ao temível ar congelante sobreviveu, exclama em alto e bom som:
"Como tu és fria, Deladreon!"

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Assalto

Ouve-se sinal de alarme
as ruas sempre calmas se agitam
o ritmo monótono se eleva
corre-se nas calçadas sempre cansadas
ao som de música agitada
todos se jogam aos lados
fileiras transpassam as barreiras humanas
alguns gritos ecoam
dúvidas recaem sobre os rostos
crianças se divertem
a cidade parada está viva!
a correria continua
vem de todos os lados
ritmo frenético
a música não pára.
Todos a sentem mas ninguém a ouve
mais dois passam correndo
o alarme dá o ritmo da correria
são os vinte minutos de maior intensidade
nunca mais Deladreon será a mesma
aos poucos a calamaria retorna
já não há mais agitação
a força policial repreendeu os criminosos
a notícia se espalha:
tem fim o primeiro assalto a banco
desde o reinício.
poucos lamentam o ocorrido
que ficará na história
como o dia em que Deladreon correu.
É mais um dia, um calmo agitado dia
que finalmente, chega ao fim.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Aldeias, pequenas aldeias.

Das pequenas aldeias
que a grande cidade circundam
saem lã, uvas e aveias
as mãos calejadas que labutam
delicadas tecem a fina seda
caprichosas esmagam o vinho
oprimidas oram em silêncio.

Das pequenas aldeias
que a grande cidade circundam
saem as velhas sujas e mal vestidas
crianças descalças e desnudas
velhos cansados e tortuosos
em carroças desgastadas
por cavalos morimbundos puxadas.

Das pequenas aldeias,
aquelas mesmas aldeias
a vida segue vagarosamente
o dia antes do sol aparece
e a noite, sempre junto da lua
é acompanhada pela prece.
e a vida na aurora continua.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Ronda

Qual é a deste menino
No escuro vagando sozinho
Estreito mundo que o acolhe
Recolhe à penumbra corpo tão franzino.

Casa, não tem;
estudo? nem lhe convém.
Deixe em paz, seu guarda, este menino,
Enquanto não perturba ninguém.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Lenda do Dragão Mágico

Dizem os sábios,
os filósofos e anciãos
que na distância dos montes,
onde já não se sente a brisa do mar
terras longínqüas e hostis
nas quais nenhum cidadão há de tocar
habita um monstro,
que ninguém sabe como lá foi chegar.

Dizem os mais estudados um dragão se tratar,
os mais céticos chamam de lenda,
mas ninguém jamais ousou certificar.
Há quem diga que o mal por lá deve estar
escondido da força divina
que dos céus mandou o expulsar.

Dos mais velhos vem a explicação:
trata-se de magia dos tempos de escuridão.
É um dragão, sim senhor,
com fogo pelas ventas a expulsar;
garras enormes prontas a atacar
e poder mágico que a qualquer um é capaz de matar.

Se desta história alguém duvidar,
mais que palavras é preciso para contestar.
Os rugidos ao norte é preciso explicar,
e que se aventure qualquer forasteiro,
sem nenhum cidadão o acompanhar.
Há um grande segredo,
nas terras que não tocam o mar.