sexta-feira, 22 de junho de 2007

Reerguida II

Quanto tempo faz, Deladreon?
todos te olham com misericórdia
a multidão te espera.
É misericórdia o que desejas?
levanta-te e lute, é esta a tua era.

As flâmulas antes escondidas
içadas ao vento acompanham
encobrindo todo alcance de sua terra
que, se outrora invadida
hoje anseia pela guerra.

Os meninos te aguardam
armas em punho
coração pulsante
e aos inimigos anunciam
"levantou o gigante!"

Este é o seu momento Deladreon
todos te aguardam
lute como nos tempos de glória.
Sobre aqueles que te afrontam
espalhe o mar de sua vitória!

segunda-feira, 18 de junho de 2007

A Sociedade I

O sol nasce em Deladreon
todos percebem que é um dia diferente.
As donas de casa saem às compras,
as crianças lotam as estreitas ruas de ladrilhos
os velhos na praça se reúnem para uma partida de xadrez.
Todos sentem um ar de mudança,
mas ninguém ao certo sabe o que há.
Na verdade o que há?
Não importa, Deladreon é assim...
um ar diferente, um sentimento coletivo,
uma cumplicidade passiva,
uma vida em comum.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Recordações II

O garoto faz nova investida:
por Deus vô, o que é Deladreon?
o velho se contorce
a face fica enrustida.
O jovem já esperto
se aproxima do velho pela face
num esforço de ouvir a palavra esprimida
ao menos uma que fosse.
Misterioso sofrimento
qual origem tem tamanha dor?
terá sido Deladreon um monstro?
me explique por favor!
Mas o velho imóvel permanece
com o já conhecido temor
sua voz somente aparece
"não me force por favor!"

quarta-feira, 13 de junho de 2007

bem-vindo forasteiro

Ei!
O que fazes por essas bandas
Ficaste tão louco
Que mal sabes por onde andas?

Não provoques mais espanto
deixes quieto o pobre pássaro
cantar ao céu envergonhado
o seu triste e pobre canto.

Se insistires logo digo
Deladreon é diferente,
e quem sabe de repente
você perceba o perigo.

por aqui nada é projetado,
ninguém olha forma e tão menos rima,
só preocupam as palavras, é verdade,
que tão poucas se repetem
mas num jogo desleixado,
formam texto e poesia
que se com elas não te encantas,
os deladreonianos ao sonho remetem
afinal,
não é esse um território de fantasia?

terça-feira, 12 de junho de 2007

Recordações I

Um menino senta junto de seu avô e pergunta:
o que é Deladreon?
Com ar melancólico, o velho arruma os óculos já desajeitados,
arqueia as duas lentes profundas sobre o nariz enrugado
desabotoa a camisa dando mais folga à exuberância de seu corpo
limpa os canais vocais provocando ruídos repugnantes
entrelaça os dedos e faz cara de reflexão.
Parece ir distante buscar palavras suficientes
entra em um transe abstêmico
lhe falta a luz, o suor irrita em sua testa
já lhe falta no rosto qualquer tipo de expressão.
O olhar profundo se clareia
Será a resposta surgindo?
As lágrimas já não pode mais segurar
aos poucos gotas finas vão caindo
a dor é clara e nos olhos se lampeia.
Sinto muito, meu jovem,
a resposta pode esperar.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Deladreon noturna

Estava andando por Deladreon

pensamento livre e distante

absorvendo o som daquela noite

palavras surgiam e se embolavam

cabelo esvoaçante.

Vento rebelde.

Pelas ruelas o som triste dos passos

o arrastar do calçado entoava a melodia

a lua com seu olhar medíocre

os pássaros sonolentos em seus galhos.

Uma imagem a outra já seguia

poucas janelas ainda iluminadas

agora já penso n'outro dia

a senhora da casa 208 sai da sacada

quantos já dormem a essa hora?

O silêncio profundo é sufocante

já não posso mais com a noite

me deito aos pés do Ipê

boa noite, vou dormir aqui fora.

domingo, 10 de junho de 2007

Um pouco de Deladreon

[memórias de um forasteiro]

Conhecia a terra Deladreon
Lá nada era de ninguém
E tudo dele parecia pertencer.
O irmão deste também era o amigo daquele
E juntos pegavam o que de todos deveria ser.

Na terra Deladreon
Escola e hospital eles precisavam.
Todos nada tinham,
Aqueles tudo queriam,
E poucos tudo roubavam.

Pobre terra Deladreon.
Pouco sabia o que passava.
Os escolhidos eram reis,
O povo era nada.
Deladreon estava acabada.

Levante-se Deladreon,
Todos poucos derrubaram
Mas juntos,
Todos acordaram.
Por sorte, só com você, Deladreon!

reerguida I

Deladreon estás acordada?
veja que alguém ora a procura
saia já de sua pousada
e nunca demonstre sua loucura.

Terra de lugar ermo esquecido
ensaie sua revolta
abandone o espírito corrompido
e a alma outrora morta.

Deladreon, Deladreon
seu povo a conclama
descurve sua honra
e defenda deste mundo
aqueles a quem ama!

Suas terras já tremulam
os ventos te anunciam
saia Deldreon
das torturas que te rondam.
Deladeon, Deladreon.