segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O vagalume

Por onde anda aquele vagalume,
sorridente e brilhante a vagar?
Era ele quem iluminava essas bandas,
E nos alegrava em noite sem luar.

Nunca vi, não senhor,
vagalume como aquele.
De cor tão reluzente,
cantava para toda a gente
dançando sem parar.

-Por onde anda aquele vagalume,
cujo brilho se apagou?
-De tão bom que era, ó senhora,
o grande Deus o levou!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Mais uma lenda

Entre os mais velhos um mito faz fama

diz de um valente guerreiro

que durante o auge da sombra

sozinho com seu escudo e espada

enfrentou a fúria da chama.



Contam as mentes já cansadas

daqueles com rosto senil

que o mal diante do guerreiro ruiu

deixou as terras deladreonianas

mas um preço cobrou.

A mais bela donzela dessas terras

- aquela que ao valente guerreiro conquistou -

fora abatida e raptada

e a fúria do mal

para a sombra a levou.


Reza a lenda

que daquele dia em diante

ao guerreio ninguém mais viu.

Contam os sábios

que pelo grande oceano

de barco ele partiu.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A Sociedade II

Olhares reprimidos,
troncos recurvados,
face enrugada,
ânimo oprimido.
As ruas seguem silenciosas
o seu rumo tortuoso.
As casas mal pintadas
quando ainda não em ruínas.
É sinal de um povo que ainda luta
mesmo sem armas nas mãos.
São frutos de uma guerra
que de forma bruta,
avassaladora e desleal
marcou de sangue e de dor
toda a imensidão desta terra.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Enamorados

É primavera em Deladreon
o ar gélido sufocante
abre espaço para o perfume esvoaçante
das donzelas e das flores
dos campos e das cores.

O desabrochar das rosas
aos jovens como inspiração atua
o novo botão rosado ao mundo se abre
as mãos entrelaçadas
rostos corados e olhares apaixonados.

No vai-vém dos balanços
cabelos desajeitados
respiração ofegante
já não há jardim mais belo
do que o coração dos enamorados.

É primavera em Deladreon.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Recordações III

O menino já cansado de esperar por resposta
decide se aventurar em busca da solução.
Dias e noites se pergunta:
"O que é Deladreon?"
Sabe apenas que ali,
no velho porão da velha casa de seu velho avô
residem histórias adormecidas
aguardando o momento certo de acordar.
Aquele diário, pequeno livro de couro
todo empoeirado
capa e folhas manchadas
- nada faz sentido!
Somente um grande letreiro
dourado já antigo:
Deladreon, a terra além mar.

Dia de inverno

Hoje faz sol em Deladreon
um lindo e confortável dia de inverno.
Nas ruas, a alegria desfila livremente,
o homem bem vestido caminha apressado,
na feira as donas de casa enchem seus cestos,
no parque as crianças correm peraltas.

Sob o pé de castanheira
um casal de jovens se olha enamorado
- não se ouve palavra sequer -
um murmúrio mínimo será desnecessário.
Os olhos lampejam um brilho inusitado
capaz de justificar a beleza daquele caloroso dia,
um lindo dia quente de inverno.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Faz frio em Deladreon

Faltavam três ou quatro dias para o solstício de inverno
as ruas desertas ficaram,
as poucas folhas que nas árvores ainda restaram
se contorciam denunciando a voracidade deste monstro silencioso.
O tenebroso céu deladreoniano fora pincelado por inúmeras listras brancas
saídas de cada pequena casa do vilarejo.
Chaminés expeliam sufocadamente a fumaça quente daquela noite terrível.
Pai e mãe se revezavam na heróica tarefa de alimentar o faminto fogão de lenha;
as crianças extasiadas se divertiam correndo ao redor daquela simpática máquina de fazer calor.
O mendigo desabrigado se esquivava, fazendo parede com um fino cobertor.
A grama que outrora verde aos passeantes alegrava, agora treme congelada a esperar pela aurora.
O grande astro do sono desperta, o povo às ruas retorna. O mendigo que ao temível ar congelante sobreviveu, exclama em alto e bom som:
"Como tu és fria, Deladreon!"