Por onde anda aquele vagalume,
sorridente e brilhante a vagar?
Era ele quem iluminava essas bandas,
E nos alegrava em noite sem luar.
Nunca vi, não senhor,
vagalume como aquele.
De cor tão reluzente,
cantava para toda a gente
dançando sem parar.
-Por onde anda aquele vagalume,
cujo brilho se apagou?
-De tão bom que era, ó senhora,
o grande Deus o levou!
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
O vagalume
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Lucas Ghellere
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sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Mais uma lenda
Entre os mais velhos um mito faz fama
diz de um valente guerreiro
que durante o auge da sombra
sozinho com seu escudo e espada
enfrentou a fúria da chama.
Contam as mentes já cansadas
daqueles com rosto senil
que o mal diante do guerreiro ruiu
deixou as terras deladreonianas
mas um preço cobrou.
A mais bela donzela dessas terras
- aquela que ao valente guerreiro conquistou -
fora abatida e raptada
e a fúria do mal
para a sombra a levou.
Reza a lenda
que daquele dia em diante
ao guerreio ninguém mais viu.
Contam os sábios
que pelo grande oceano
de barco ele partiu.
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Lucas Ghellere
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11:28
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quarta-feira, 22 de outubro de 2008
A Sociedade II
Olhares reprimidos,
troncos recurvados,
face enrugada,
ânimo oprimido.
As ruas seguem silenciosas
o seu rumo tortuoso.
As casas mal pintadas
quando ainda não em ruínas.
É sinal de um povo que ainda luta
mesmo sem armas nas mãos.
São frutos de uma guerra
que de forma bruta,
avassaladora e desleal
marcou de sangue e de dor
toda a imensidão desta terra.
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Lucas Ghellere
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06:50
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segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Enamorados
É primavera em Deladreon
o ar gélido sufocante
abre espaço para o perfume esvoaçante
das donzelas e das flores
dos campos e das cores.
O desabrochar das rosas
aos jovens como inspiração atua
o novo botão rosado ao mundo se abre
as mãos entrelaçadas
rostos corados e olhares apaixonados.
No vai-vém dos balanços
cabelos desajeitados
respiração ofegante
já não há jardim mais belo
do que o coração dos enamorados.
É primavera em Deladreon.
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Lucas Ghellere
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09:50
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quinta-feira, 3 de julho de 2008
Recordações III
O menino já cansado de esperar por resposta
decide se aventurar em busca da solução.
Dias e noites se pergunta:
"O que é Deladreon?"
Sabe apenas que ali,
no velho porão da velha casa de seu velho avô
residem histórias adormecidas
aguardando o momento certo de acordar.
Aquele diário, pequeno livro de couro
todo empoeirado
capa e folhas manchadas
- nada faz sentido!
Somente um grande letreiro
dourado já antigo:
Deladreon, a terra além mar.
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Lucas Ghellere
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11:17
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Dia de inverno
Hoje faz sol em Deladreon
um lindo e confortável dia de inverno.
Nas ruas, a alegria desfila livremente,
o homem bem vestido caminha apressado,
na feira as donas de casa enchem seus cestos,
no parque as crianças correm peraltas.
Sob o pé de castanheira
um casal de jovens se olha enamorado
- não se ouve palavra sequer -
um murmúrio mínimo será desnecessário.
Os olhos lampejam um brilho inusitado
capaz de justificar a beleza daquele caloroso dia,
um lindo dia quente de inverno.
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Lucas Ghellere
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11:01
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terça-feira, 17 de junho de 2008
Faz frio em Deladreon
Faltavam três ou quatro dias para o solstício de inverno
as ruas desertas ficaram,
as poucas folhas que nas árvores ainda restaram
se contorciam denunciando a voracidade deste monstro silencioso.
O tenebroso céu deladreoniano fora pincelado por inúmeras listras brancas
saídas de cada pequena casa do vilarejo.
Chaminés expeliam sufocadamente a fumaça quente daquela noite terrível.
Pai e mãe se revezavam na heróica tarefa de alimentar o faminto fogão de lenha;
as crianças extasiadas se divertiam correndo ao redor daquela simpática máquina de fazer calor.
O mendigo desabrigado se esquivava, fazendo parede com um fino cobertor.
A grama que outrora verde aos passeantes alegrava, agora treme congelada a esperar pela aurora.
O grande astro do sono desperta, o povo às ruas retorna. O mendigo que ao temível ar congelante sobreviveu, exclama em alto e bom som:
"Como tu és fria, Deladreon!"
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Lucas Ghellere
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04:20
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