quinta-feira, 14 de junho de 2007

Recordações II

O garoto faz nova investida:
por Deus vô, o que é Deladreon?
o velho se contorce
a face fica enrustida.
O jovem já esperto
se aproxima do velho pela face
num esforço de ouvir a palavra esprimida
ao menos uma que fosse.
Misterioso sofrimento
qual origem tem tamanha dor?
terá sido Deladreon um monstro?
me explique por favor!
Mas o velho imóvel permanece
com o já conhecido temor
sua voz somente aparece
"não me force por favor!"

quarta-feira, 13 de junho de 2007

bem-vindo forasteiro

Ei!
O que fazes por essas bandas
Ficaste tão louco
Que mal sabes por onde andas?

Não provoques mais espanto
deixes quieto o pobre pássaro
cantar ao céu envergonhado
o seu triste e pobre canto.

Se insistires logo digo
Deladreon é diferente,
e quem sabe de repente
você perceba o perigo.

por aqui nada é projetado,
ninguém olha forma e tão menos rima,
só preocupam as palavras, é verdade,
que tão poucas se repetem
mas num jogo desleixado,
formam texto e poesia
que se com elas não te encantas,
os deladreonianos ao sonho remetem
afinal,
não é esse um território de fantasia?

terça-feira, 12 de junho de 2007

Recordações I

Um menino senta junto de seu avô e pergunta:
o que é Deladreon?
Com ar melancólico, o velho arruma os óculos já desajeitados,
arqueia as duas lentes profundas sobre o nariz enrugado
desabotoa a camisa dando mais folga à exuberância de seu corpo
limpa os canais vocais provocando ruídos repugnantes
entrelaça os dedos e faz cara de reflexão.
Parece ir distante buscar palavras suficientes
entra em um transe abstêmico
lhe falta a luz, o suor irrita em sua testa
já lhe falta no rosto qualquer tipo de expressão.
O olhar profundo se clareia
Será a resposta surgindo?
As lágrimas já não pode mais segurar
aos poucos gotas finas vão caindo
a dor é clara e nos olhos se lampeia.
Sinto muito, meu jovem,
a resposta pode esperar.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Deladreon noturna

Estava andando por Deladreon

pensamento livre e distante

absorvendo o som daquela noite

palavras surgiam e se embolavam

cabelo esvoaçante.

Vento rebelde.

Pelas ruelas o som triste dos passos

o arrastar do calçado entoava a melodia

a lua com seu olhar medíocre

os pássaros sonolentos em seus galhos.

Uma imagem a outra já seguia

poucas janelas ainda iluminadas

agora já penso n'outro dia

a senhora da casa 208 sai da sacada

quantos já dormem a essa hora?

O silêncio profundo é sufocante

já não posso mais com a noite

me deito aos pés do Ipê

boa noite, vou dormir aqui fora.

domingo, 10 de junho de 2007

Um pouco de Deladreon

[memórias de um forasteiro]

Conhecia a terra Deladreon
Lá nada era de ninguém
E tudo dele parecia pertencer.
O irmão deste também era o amigo daquele
E juntos pegavam o que de todos deveria ser.

Na terra Deladreon
Escola e hospital eles precisavam.
Todos nada tinham,
Aqueles tudo queriam,
E poucos tudo roubavam.

Pobre terra Deladreon.
Pouco sabia o que passava.
Os escolhidos eram reis,
O povo era nada.
Deladreon estava acabada.

Levante-se Deladreon,
Todos poucos derrubaram
Mas juntos,
Todos acordaram.
Por sorte, só com você, Deladreon!

reerguida I

Deladreon estás acordada?
veja que alguém ora a procura
saia já de sua pousada
e nunca demonstre sua loucura.

Terra de lugar ermo esquecido
ensaie sua revolta
abandone o espírito corrompido
e a alma outrora morta.

Deladreon, Deladreon
seu povo a conclama
descurve sua honra
e defenda deste mundo
aqueles a quem ama!

Suas terras já tremulam
os ventos te anunciam
saia Deldreon
das torturas que te rondam.
Deladeon, Deladreon.