O garoto faz nova investida:
por Deus vô, o que é Deladreon?
o velho se contorce
a face fica enrustida.
O jovem já esperto
se aproxima do velho pela face
num esforço de ouvir a palavra esprimida
ao menos uma que fosse.
Misterioso sofrimento
qual origem tem tamanha dor?
terá sido Deladreon um monstro?
me explique por favor!
Mas o velho imóvel permanece
com o já conhecido temor
sua voz somente aparece
"não me force por favor!"
quinta-feira, 14 de junho de 2007
Recordações II
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Lucas Ghellere
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quarta-feira, 13 de junho de 2007
bem-vindo forasteiro
Ei!
O que fazes por essas bandas
Ficaste tão louco
Que mal sabes por onde andas?
Não provoques mais espanto
deixes quieto o pobre pássaro
cantar ao céu envergonhado
o seu triste e pobre canto.
Se insistires logo digo
Deladreon é diferente,
e quem sabe de repente
você perceba o perigo.
por aqui nada é projetado,
ninguém olha forma e tão menos rima,
só preocupam as palavras, é verdade,
que tão poucas se repetem
mas num jogo desleixado,
formam texto e poesia
que se com elas não te encantas,
os deladreonianos ao sonho remetem
afinal,
não é esse um território de fantasia?
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Lucas Ghellere
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terça-feira, 12 de junho de 2007
Recordações I
Um menino senta junto de seu avô e pergunta:
o que é Deladreon?
Com ar melancólico, o velho arruma os óculos já desajeitados,
arqueia as duas lentes profundas sobre o nariz enrugado
desabotoa a camisa dando mais folga à exuberância de seu corpo
limpa os canais vocais provocando ruídos repugnantes
entrelaça os dedos e faz cara de reflexão.
Parece ir distante buscar palavras suficientes
entra em um transe abstêmico
lhe falta a luz, o suor irrita em sua testa
já lhe falta no rosto qualquer tipo de expressão.
O olhar profundo se clareia
Será a resposta surgindo?
As lágrimas já não pode mais segurar
aos poucos gotas finas vão caindo
a dor é clara e nos olhos se lampeia.
Sinto muito, meu jovem,
a resposta pode esperar.
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Lucas Ghellere
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segunda-feira, 11 de junho de 2007
Deladreon noturna
Estava andando por Deladreon
pensamento livre e distante
absorvendo o som daquela noite
palavras surgiam e se embolavam
cabelo esvoaçante.
Vento rebelde.
Pelas ruelas o som triste dos passos
o arrastar do calçado entoava a melodia
a lua com seu olhar medíocre
os pássaros sonolentos em seus galhos.
Uma imagem a outra já seguia
poucas janelas ainda iluminadas
agora já penso n'outro dia
a senhora da casa 208 sai da sacada
quantos já dormem a essa hora?
O silêncio profundo é sufocante
já não posso mais com a noite
me deito aos pés do Ipê
boa noite, vou dormir aqui fora.
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Lucas Ghellere
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06:52
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domingo, 10 de junho de 2007
Um pouco de Deladreon
Conhecia a terra Deladreon
Lá nada era de ninguém
E tudo dele parecia pertencer.
O irmão deste também era o amigo daquele
E juntos pegavam o que de todos deveria ser.
Na terra Deladreon
Escola e hospital eles precisavam.
Todos nada tinham,
Aqueles tudo queriam,
E poucos tudo roubavam.
Pobre terra Deladreon.
Pouco sabia o que passava.
Os escolhidos eram reis,
O povo era nada.
Deladreon estava acabada.
Levante-se Deladreon,
Todos poucos derrubaram
Mas juntos,
Todos acordaram.
Por sorte, só com você, Deladreon!
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Lucas Ghellere
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reerguida I
Deladreon estás acordada?
veja que alguém ora a procura
saia já de sua pousada
e nunca demonstre sua loucura.
Terra de lugar ermo esquecido
ensaie sua revolta
abandone o espírito corrompido
e a alma outrora morta.
Deladreon, Deladreon
seu povo a conclama
descurve sua honra
e defenda deste mundo
aqueles a quem ama!
Suas terras já tremulam
os ventos te anunciam
saia Deldreon
das torturas que te rondam.
Deladeon, Deladreon.
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Lucas Ghellere
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